sábado, 15 de abril de 2017

Domingo de Páscoa (Mc., XVI, 1-7)




 Não foi coisa fácil para Jesus o convencer seus próprios discípulos de que ELE, o morto, estava novamente vivo. Primeiramente, com seus olhos eles o tinham visto estertorar na cruz, depois tinham visto o horrível rasgão do peito nEle já cadáver. Enfim, com suas mãos haviam-no despregado, enxague e gélido, do lenho, e haviam-no composto na sepultura. Por isto não podiam mais julga-lo vivo: os mortos não tornam atrás.

 Verdadeiramente, Jesus antes de morrer, predissera-o, mas a ressurreição é um fato tão longe de toda possibilidade humana, que talvez eles houvessem interpretado a palavra dele como uma parábola.
 Narremos, com alguma ordem, as primeiras impressões daquele domingo de manhã em que sucedeu o glorioso prodígio. 
 Ainda não nascera o sol quando as piedosas mulheres, chegadas ao sepulcro para perfumar o cadáver, perceberam horrorizadas, que a pedra de clausura fora derrubada. Logo pensaram numa profanação sacrílega, tão longe estavam de suspeitar a maravilhosa realidade.
   Maria Madalena, impetuosa como sempre, nem sequer quis olhar para dentro: abandonando as companheiras, correu para trás, a anunciar aos apóstolos a triste novidade. Os primeiros que ela encontrou foram Pedro e João, aos quais disse, com a aflição na garganta: "tiraram do túmulo o Senhor". Então os dois inseparáveis acorreram ao lugar.   
 Mas, nesses ínterim, as mulheres que tinham ficado lá, retomando a coragem, tinham ousado olhar para dentro da gruta. Viram um anjo, que lhes disse: "Não temais: Ele não está mais aqui: Ressurgiu: ide referí-lo aos discípulos, e dizei-lhes que eles o verão". Alegres, elas partiram para levarem a sua mensagem.
 Partidas que elas foram, chegaram Pedro e João. Não viram ninguém. Consideraram, porém, atentamente tudo: o sepulcro estava vazio, mas as faixas, o sudário, o lençol jaziam ali de lado, sem desordem, Se fosse verdadeira a suposição de Madalena, os malfeitores, pela pressa de subtraí-lo, te-lo-iam levado tal como estava... Após esta verificação, eles se retiraram.
   E eis Maria Madalena de volta ao sepulcro, sozinha. Parada, mas de pé, à porta do sepulcro, começou a chorar. Mas do interior veio-lhe uma voz: "Por que choras ?" Ela olhou para dentro, e viu duas esplendidas figuras. Com os olhos cheio de lágrimas, talvez ela nem sequer tenha percebido que não eram homens, porém anjos. E respondeu:"choro porque o levaram".
 Mas alguém passava ali por dora naquele momento. Sem sequer olhá-lo em rosto, Maria dirigiu-se a esse como se fosse o guarda daquele jardim. "Dizei-me, Senhor, se sabeis alguma coisa! Dizei-me onde ele jaz agora!" E aquele a chamou por seu nome: "Maria!"
 A esse nome, a essa voz, ela despertou como de um sonho. Olhou-o: era elem estava vivo. " Meu Mestre!" gritou ela, e lançou-se por terra para lhe abraçar os pés, com aquele gesto que lhe era costumeiro, aquele festo que lhe obtivera o perdão dos seus pecados, aquele festo que ela repetiu na ceia em casa de Simão o leproso, seus dias antes de Jesus morrer, 
 Não só Maria Madalena o viu e tocou; mas também Pedro; também os doze apóstolos, e muitas vezes, e demoradamente; "também quinhentos homens todos juntos- escreve S. Paulo aos de corinto e acrescenta:- a maioria dos quais ainda vivem , e  podeis interrogar. E também eu Paulo, o vi com estes meus olhos..."

Portanto Cristo VENCEU A MORTE:
VENCEU A MORTE NATURAL,
VENCEU A MORTE SOBRENATURAL.

Pensamentos Sobre os Evangelhos e sobre as festas do Senhor e dos santos, Padre João Colombo. 

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