domingo, 18 de junho de 2017

Meditação - Mês do Sagrado Coração de Jesus - 18º dia

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Vamos a Jerusalém, ali acharemos o Coração de Jesus aceitando a Cruz


    Jesus não esperou que a Cruz lhe fosse imposta pelos algozes; estendendo as mãos, ele a tomou com pressa, e a pôs sobre os ombros cobertos de chagas. "Vem, diz ele então, vem querida Cruz, há trinta e três anos que suspiro por ti e te busco; eu te abraço, eu te aperto contra meu Coração, pois tu és o altar do qual resolvi sacrificar minha vida por minhas ovelhas".
    Fizeram sair os condenados, e, no meio deles, vê-se também caminhar para a morte o Rei do céu, o Filho único de Deus, carregado de sua Cruz. Eis ai o Messias, que há alguns dias, foi proclamado o Salvador do mundo e recebido com tantos aplausos e bençãos pelo povo! Chamava-se então na sua passagem: Hosana ao Filho de Davi! Bendito aquele que vem em nome do Senhor! E agora, ei-lo que se vai, amarrado, escarnecido e amaldiçoado de todos, com uma cruz nos ombros, morrer como um criminosos. Ó excesso de amor divino! Um Deus que vai ao último suplício para salvar os homens! E haveria um homem que não amasse este Deus?
    Imagina, minha alma, que vês Jesus passar pela rua da amargura. Como um cordeiro que se leva ao matadouro, assim teu amável Redentor se deixa conduzir para a morte. Já ele perdeu tanto sangue e está tão enfraquecido pelos tormentos, que dificilmente pode ficar em pé. Contempla-o coberto todo de chagas, com coroa de espinhos na cabeça, pesado madeiro sobre os ombros, e precedido por um algoz que o puxa por uma corda. Vê como ele caminha, o corpo pendido, as pernas trêmulas, escorrendo sangue, e andando com tanta dificuldade, que parece espirar a cada passo. - Aonde ides, ó meu Jesus? - Alma querida, eu vou morrer por ti; não me impeças; não te peço e recomendo senão uma coisa: quando me vires morto na cruz por ti, lembra-te do amor que te consagro, e não te esqueças de me dar o teu. - Ó amor, ó doçura, ó paciência do Coração de Jesus.
    Jesus, caminhando com sua Cruz, convida-nos a segui-lo: Se alguém quer vir após mim, tome a sua cruz e siga-me. Persuadamo-nos aqui do que diz Santo Agostinho; a saber, que toda a vida de um cristão deve ser uma cruz contínua. Esta cruz, são nossas penas de cada dia. Deus no-las envia como remédio e esperança.
    Se nos lembramos de ter ofendido a Deus, devemos nos alegrar de ver que ele nos faz padecer neste mundo. O pecado é um abscesso na alma: se a tribulação não vem para vazar o pus, a alma está perdida. Desgraçado daquele que depois de ter pecado, não é punido nesta vida! É certo que Deus não nos envia a Cruz para nos perder, mas para nos salvar, se não sabemos aproveitar-nos dela, nossa é a culpa. O Senhor se queixava a Ezequiel de que os Israelitas se haviam tornado ferro e chumbo na fornalha. Deus procura purifica-los e converte-los em ouro pelo fogo da tribulação. Ai! Eles tinham se tornado chumbo. Tais são os pecadores que se impacientam quando são afligidos. A maior desgraça que pode acontecer a um pecador, é não ser castigado na terra; Deus nunca está mais irritado do que quando o deixa em paz, é o médico que abandona o enfermo, porque perdeu esperança de cura-lo. Assim, pois, quando o Senhor nos visita pelas enfermidades, revezes ou perseguições, humilhemo-nos, dizendo com o bom ladrão: Digna factis reci pimus. Senhor, eu bem mereço esta cruz, orque vos ofendi. Julguemo-nos então felizes de sermos castigados nesta vida, para escaparmos as penas da outra.
    Além disto, a esperança do paraíso nos faça amar a Cruz. Para ganhar o céu, toda a pena é pouca, dizia S. José Calazans. Feliz, exclama São Tiago, aquele que sofre com paciência, porque depois de ter sido provado, receberá a coroa eterna. O pensamento do céu encheu sobre-humana coragem o jovem Santo Agapito, martirizado na idade de quinze anos; enquanto lhe amontoavam sobre a cabeça carvões acesos, ele dizia ao juiz: Bem pouca coisa é que minha cabeça seja queimada neste mundo, pois há de ser coroada de glória no céu. A tribulações que se sofrem na vida presente são grande sinal de predestinação; porque todos os predestinados devem ser semelhantes a Jesus Cristo; ora Jesus Cristo não levou sua Cruz, e não nos convida a levarmos a nossa, se queremos ser do número de seus discípulos? Se alguém quer vir após a mim, diz ele, renuncie a si mesmo, tome a sua cruz e siga-me.

Prática

    Irei muitas vezes fazer a Via Sacra; o Coração de Jesus me ensinará a maneira de santificar as penas da vida.

Afetos e Súplicas

    Ah! Meu Divino Redentor, já que inocente como sois, quisestes ir adiante com vossa Cruz e me convidais a vos seguir com a minha, ide, meu bom Mestre, eu não quero separar-me de vós. Se até aqui recusei vos seguir, confesso que fiz mal; dai-me agora a cruz que quiserdes, eu a abraço, e com ela quero vos acompanhar até a morte; pois que! Vós amastes tanto os padecimentos e humilhações para bem da minha salvação; e eu, não os amarei na intenção de vos agradar? Ah! Se vós mechamais para vos seguir, certamente quero vos seguir para ir convosco a morte; mas dai-me a força que é necessária; por vossos merecimentos vo-la peço e espero alcança-la. Eu vos amo, ó meu amável Jesus; de toda a minha alma vos amo, e não quero mais vos abandonar. Muito tempo andei longe de vós; prendei-me agora ao vosso Coração. Arrependo-me de ter assim desprezado vosso amor; ao presente eu o aprecio mais que todos os bens. Pai eterno, pela Cruz que vosso divino Filho levou ao Calvário, dai-me o amor dos padecimentos a viva dor de meus pecados. E vós, terníssimo e afetuosissímo Coração de meu Jesus, tende compaixão de mim, detesto profundamente os desgostos que vos causei, e tomo a resolução de não amar daqui em diante senão a vós.

Oração Jaculatória

    
Ó Soberano Bem, fazei que eu morra completamente a mim mesmo e viva somente para vós.

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