quinta-feira, 22 de junho de 2017

Meditação - Mês do Sagrado Coração de Jesus - 22º dia


Vamos ao Altar; ali acharemos o Coração de Jesus dando-se a nós


    Assim como Jesus nasceu de Maria em Belém, assim nasce todos os dias sacramentalmente entre as mãos do sacerdote, na Missa, no momento da consagração. Sim, pela virtude das palavras sagradas, o padre muda o pão e o vinho no corpo e no sangue de Jesus Cristo; ela manda a Jesus vir do céu sobre o altar e este Coração manso e humilde obedece, sem resistir nunca. Assim então o Sagrado Coração se acha perpetuamente entre nós, segundo esta consoladora promessa do Senhor: Meus olhos e meu Coração estarão ali todos os dias, ao santo sacrifício da Missa é que devemos isto.
    Ó sublimes mistérios, ó sacerdócio mil vezes bendito, vós é que nos dais no altar o Coração de nosso Deus! Como se explica este poder incomparável do sacerdócio? Assim: Jesus Cristo, o sacerdote único e eterno, o sacerdote por excelência, acha-se moralmente presente nos seus ministros, a fim de cumprir por meio deles as augustas funções sacerdotais. Ai está porque os santos, esquecendo de algum modo o que há de home no sacerdote, para verem nele só Jesus Cristo, não temem chamar-lhe homem divino, e declarar-lhe que sua dignidade é divina, infinita, suprema. Partindo deste pensamento, S. Bernardo diz que Deus elevou o sacerdote acima de Maria; e a razão que dá é ma seguinte: Maria não concebeu Jesus Cristo senão uma só vez ao passo que o sacerdote, consagrando, concebe-o tantas vezes, para assim dissermos, quantas quer; e isto de tal modo que, se a pessoa do Redentor não tivesse ainda existido no mundo, o sacerdote, pronunciando as palavras da consagração, produziria realmente a sublime pessoa do Homem Deus. Dai esta bela exclamação de Santo Agostinho: "Ó venerável dignidade dos sacerdotes, em cujas mãos o Filho de Deus se encarna como no seio da Virgem!" Por isto é que os sacerdotes são chamados pais de Jesus, como fala São Bernardo: Parentes Christi; de fato, eles são a causa ativa da existência de Jesus Cristo na hóstia consagrada. O sacerdote pode até ser chamado, em algum sentido, criador de seu Criador, pois que, pronunciando as palavras da consagração, ele cria, permitam-nos a expressão, Jesus Cristo sobre o altar, dando-lhe o ser sacramental e pondo-o em estado de vítima oferecida ao Pai eterno. Deus, para criar o mundo, só teve que dizer uma palavra: Ipse dixit et facta sunt. Da mesma sorte basta ao padre dizer sobre o pão: Hoc est corpus meum; e eis que não é mais pão: é o corpo do Salvador.
    Assistindo a missa, o fiel tem, pois, a mesma felicidade que teria se tivesse presente em Nazaré no momento da encarnação, ou em Belém no momento do nascimento do divino Salvador; e se ele é deoto do Sagrado Coração, tem a alegria de se ver em presença desse Coração, objeto de suas adorações, de suas piedosas homenagens e de seu amor, fonte de todos os bens que já possui e dos que espera no futuro.
    Quando então assistirmos a Missa, pensemos, no momento da consagração, que o anjo nos vem dizer o que dizia outrora aos pastores de Belém: Eu vos anuncio e a todo povo uma grande alegria: é que hoje vos nasceu um Salvador e de cotação amabílissimo e amantíssimo.
    Que festa num reino em o nascimento do primeiro filho do Rei! Mas muito mais devemos nos regojizar, vendo nascer cada dia em nossas Igrejas, durante a Missa, o Filho de Deus, que vem nos visitar, urgido pelas entranhas de sua misericórdia, como dizia o santo profeta Zacarias, isto é, urgido por seu misericordiosissimo Coração. É o bom Pastor que em salvar suas ovelhas da morte, dando pela salvação delas sua vida sacramental. É o Cordeiro de Deus, que em se imolar de novo, para nos obter a graça divina, para ser nosso libertador, nossa luz, e até nosso alimento.

Prática

    Esforçar-me-ei por assistir cada dia a santa Missa. Como poderia dizer que tenho fé viva, e especialmente que tenho grande amor ao Sagrado Coração, se desprezasse este ponto tão capital na devoção?

Afetos e Súplicas

    Ó meu Jesus, que amorosa invenção a do santo sacrifício em que vos tornais presente sob as aparências do pão, para que os homens vos amem e encontrem quando quiserem! Com razão é que o Profeta os exortava a levantarem a voz e publicarem em todo o mundo a que extremo chegaram as invenções do amor que nos tem nosso Deus Salvador. Ó Coração amantíssimo de meu Jesus, digno de possuir todos os corações das criaturas, ó Coração todo cheio das chamas do mais puro amor, ó fogo ardente, consumi-me inteiramente, e dai-me vida nova, vida de amor e de graça. Uni-me de tal modo a vós, que não possa mais separar-me. Ó Coração, aberto para ser o refúgio das almas, recebei-me. Ó Coração tão penetrado de dor sobre a cruz pelos pecados do mundo, dai-me verdadeira dor de meus pecados. Sei, ó meu Salvador, que, nesse divino sacrifício, conservais os mesmos sentimentos de amor que tínheis ao morrerdes por mim na cruz; sei, por conseguinte, que tendes grande desejo de me unir inteiramente a vós: posso então tardar mais em me dar completamente a vosso amor e desejo? Ah! por vossos merecimentos, amadíssimo Jesus meu, feri-me, ligai-rne, apertai·me, uni-me todo ao vosso Coração. Hoje proponho, com o auxilio de vossa graça, dar-vos toda a satisfação possível, calcar aos pés o respeito humano, minhas inclinações viciosas, minhas repugnâncias, meus prazeres, minhas comodidades, tudo o que poderia impedir-me de vos contentar plenamente; fazei, Senhor, que eu seja fiel a esta resolução, de sorte que no futuro, todas as minhas ações, todos os meus pensamentos e afetos, sejam inteiramente conformes ao vosso beneplácito. Ó amor de Deus, bani de meu coração todo outro amor. O' doce esperança de minha alma, ó Maria, tudo podeis junto de Deus: obtende-me a graça de ser até a morte servo fiel do Coração amantíssimo de Jesus.


Oração Jacularória


     Ó Coração de Jesus, antes morrer que viver privado de vosso amor!

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