quinta-feira, 15 de junho de 2017

Meditações - Mês do Sagrado Coração de Jesus


Com o temor e tédio, o Coração de Jesus começou a experimentar grande tristeza; Coepit moestus esse. Mas, Senhor, vós é que dáveis a vossos mártires tão grande alegria nos seus padecimentos, de modo que desprezavam os tormentos e a morte! São Vicente falava com tanta alegria durante seu martírio, que parecia que ele falava mas outro o que sofria. Conta-se de S. Lourenço  que, ardendo na grelha, experimentava tal consolação, que desafiava o tirano e lhe bradava: Vira-me e come. A visto disto, ó Coração de meu Jesus, como é que vós,que destes a vossos servos tão grande alegria nos seus suplícios, coube nos vossos tão amarga tristeza? Ah! Eu o compreendo: um Deus continuamente ofendido, a multidão de nossos pecados, nossa insensibilidade, tais foram as causa desta profunda aflição.
    Quem mais amava o Pai Eterno que o Coração de Jesus? Pois bem! Tanto ele amava seu divino Pai, quanto detestava o pecado, cuja maldade conhecia perfeitamente. Para tirar o pecado do mundo e não ver mais ofendido este Pai amadíssimo, é que ele se tinha feito homem aceitando a Paixão tão dolorosa. Ora, vendo que os homens não cessariam de ofender a Majestade divina, ele sentiu tão viva amargura, que declarou experimentar tristeza bastante para lhe tirar a vida: Minha alma dizia ele, está triste até a morte. Segundo Santo Tomás, a dor que Jesus sentiu de nossos pecados, excedeu a de todos os penitentes quanto a seus próprios pecados. Foi maior do que todas as penas que podem afligir um coração humano. A razão é que todos os padecimentos dos homens são sempre acompanhados de alguma consolação, ao passo que a dor de Jesus foi dor pura, sem alívio algum.
    Lê-se na história que certos penitentes,esclarecidos por luz divina sobre a malícia de seus pecados, penetraram-se de tal arrependimento, que morreram. Qual foi então o suplício de Jesus a vista de todos os pecados do mundo, de todas as blasfêmias, de todos os sacrilégios, de todas as impurezas, de todos os crimes que seriam cometidos pelos homens, e cada um dos quais foi então, como besta feroz, rasgar-lhe o Coração por um tormento particular.
    Lá, no Jardim, agonizando de tristeza, nosso Salvador dizia: Ó homens, é isto que tendes para me dar em troca do amor imenso que vos tenho? Ah! Se eu vos visse a responder a minha caridade pela fuga do pecado e consagração ao meu amor com quanta alegria iria agora morrer por vós! Mas ver tantos pecados após tantos padecimentos, tanta ingratidão após tanto amor, isto é o que me aflige sobremaneira, isto é o que me torna triste até a morte e me faz suar sangue! Este suor de sangue foi tão abundante, conforme o Evangelho, que molhou primeiro todas as suas vestes, e correu depois sobre a terra.
    Pelo horror que ele teve então de nossos pecados, e que lhe causou tão dura agonia, o Coração de Jesus nos mereceu a graça da contrição. Ah! Quão fácil nos seria chorar com ele os pecados de nossa vida, se compreendêssemos o que é um Deus ofendido!
    Lembremos muitas vezes que o arrependimento é a principal condição requerida para obtermos a remissão de nossos pecados. Não são as longas confissões que são as melhores, mas aquelas em que há maior dor. O sinal de uma boa confissão, diz São Gregório, não está no grande número de palavras do penitente, mas no arrependimento que ele tem. Aliás, as pessoas que se confessam frequentemente e tem horror até das faltas veniais, não tem motivo para duvidar se tem verdadeira contrição. Há entre elas algumas que se afligem pelo não senti-las; quereriam, cada vez que se confessam, ter lágrimas de enternecimento; e como, apesar de seus esforços, não podem consegui-las, ficam sempre inquietas quanto ao valor de suas confissões. Ora, o verdadeiro arrependimento não está no senti-lo, mas no quere-lo. O santo rei Ezequias dizia que sentia de seus pecados dor muito amarga, mas acompanhada de paz.

Prática
   Antes de minhas confissões, representar-me-ei ao vivo Jesus chorando meus pecados no jardim das Oliveiras, depois disto, pedirei a Deus a graça de sincero arrependimento, oferecendo-lhe aflição do Coração de Jesus e as lágrimas de Maria.

Afetos e Súplicas
    Terno Salvador meu, eu não percebo nesse jardim nem açoites, nem espinhos, nem cravos, que rasgam vossa carne; como então vos vejo coberto de sangue, da cabeça aos pés? Ah! Meus pecados foram o cruel lagar que, a força de aflição e tristeza, fez correr do vosso Coração tão grande abundância de sangue! Eu, então, fui também um de vossos mais cruéis algozes; ajudei, por meus pecados, a vos atormentar mais cruelmente! É certo que, se eu houvesse pecado menos, menos tereis sofrido, ó meu Jesus; assim, quanto maior prazer pus em vos ofender, tanto mais aumentei a aflição e angústias de vosso Coração. Ai! Como não me faz morrer de dor este pensamento, que respondi a vosso amor trabalhando para aumentar vossas penas. Eu, pois, afligi este Coração tão amável e tão terno, que me tem dado provas de tão grande amor. Senhor, já que não tenho outro meio de vos consolar senão arrependendo-me de vos haver ofendido, sinceramente me arrependo, ó meu Jesus, disto tenho o mais vivo pesar. Concedei-me dor tão forte, que me faça chorar sem cessar, até o último suspiro de minha vida, os desgostos que vos causei, ó meu Deus, meu amor, meu tudo!

Oração Jaculatória
    Meu Jesus, como pude afligir assim vosso Coração tão rico em amor para comigo!

Nenhum comentário:

Postar um comentário