quinta-feira, 10 de agosto de 2017

Santa Filomena a grande milagrosa

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Apesar das investigações de muitos sábios, nada tinha sido ainda
encontrado que pudesse lançar alguma luz sobre a história pessoal de Santa Filomena, anteriormente ao descobrimento das suas relíquias nas catacumbas. No entanto, alguns dos seus devotos mais fervorosos, animados pela terna solicitude com que a sua querida Santa costumava atender as preces de seus servos, ardentemente lhe suplicaram que os elucidasse sobre quem ela era e o que sofrera por Jesus Cristo. Estas ansiosas preces foram atendidas, e a Santa revelou a três pessoas diferentes, que viviam afastadas e absolutamente desconhecidas uma das outras, a história da sua vida e os pormenores do seu martírio.
Estas revelações, de caráter privado ou feitas a particulares, eram, todavia, surpreendentes, e não apresentam pequena soma de probabilidades humanas. Serem idênticas e terem sido as três feitas a três pessoas, entre si desconhecidas; é coincidência extraordinária que lhes dá grande valor. Além disto, conjugam-se admiravelmente com o que nós conhecemos da Santa, estando em perfeita concordância com o escrito e os símbolos que foram encontrados no sarcófago.

Mais recentemente tem tido larga publicidade, e o livro que as refere recebeu o imprimatur da Congregação do Santo Oficio.

Não significa isto que a Santa Sé garanta a autenticidade das revelações, - o que raramente faz nos casos de revelações privadas – mas prova que nos assiste o direito de as acatar, apreciando-se devidamente, e que a Igreja lhes não encontra coisa alguma digna de censura.

Como os nossos leitores estarão, sem dúvida ansiosos por saber tudo quanto se conhece a respeito da nossa Santa, vamos citar-lhes uma das três revelações: a que foi feita diretamente à Madre Maria Luísa, Superiora Geral da Congregação das Dores de Maria, que morreu em odor de santidade no ano de 1875.


“Minha querida irmã, - lhe disse a Santa, - eu era filha do rei de um pequeno estado grego. Minha mãe também era de sangue real. Como não tinham descendência, meus pais ofereciam constantemente sacrifícios e preces aos seus falsos deuses para alcançarem a graça de um filho. Estava nesse tempo com a nossa família um doutor romano, chamado Públio, agora santo da Corte Celeste, apesar de não ter sido mártir. Impressionado com a cegueira espiritual dos seus soberanos e comovido com a mágoa que eles manifestavam, foi inspirado pelo Espírito Santo a falar-lhes da nossa fé e afirmar-lhes que as suas orações seriam ouvidas se eles abraçassem a Religião Cristã.

O seu eloqüente fervor penetrou o coração de meus pais e ao mesmo tempo o espírito de ambos foi iluminado pela graça divina. Depois de madura deliberação receberam finalmente o Santo Sacramento do Batismo. Nasci no princípio do ano seguinte; a 10 de janeiro, e chamaram-me Lumena ou Luz, porque nascera sob a luz da fé a quem meus pais votavam agora ardente devoção. Deram-me ao batismo o nome de Filomena, isto é, amiga da Luz que me iluminou a alma pela graça desse Sacramento. A Divina Providência permitiu que o epitáfio do meu sarcófago fosse exarado neste verdadeiro sentido, apesar dos intérpretes não terem percebido que esse era o pensamento exato no espírito daqueles que primeiramente o escreveram.

Meus pais dedicavam-me a maior afeição possível, e meu pai não podia conformar-se com a idéia de me ter fora das suas vistas. Por esse motivo, quando eu contava treze anos, acompanhei-o a Roma. Esta viagem foi efetuada em conseqüência da declaração de guerra que injustamente nos foi feita pelo soberbo e poderoso Imperador Romano.

Reconhecendo a sua fraqueza, meu pobre pai partiu para Roma, na esperança de obter a paz com o Imperador. Minha mãe e eu acompanhamo-lo e estivemos presentes na audiência que o tirano lhe concedeu. Que extraordinário destino, o que me esperava! Enquanto meu pai calorosamente advogava a sua causa, tentando defender-se, o Imperador, lançando-me furtivos olhares cintilantes, respondeu:

- Não te assuste mais; podes estar absolutamente descansado que não há motivo para ansiedade. Em vez de te atacar, porei as forças do Império ao teu dispor, com a condição de que me darás em casamento a mão da tua encantadora filha Filomena.

Meus pais concordaram plenamente com a proposta e, ao regressarmos à nossa pousada tentaram convencer-me de que eu, na verdade, me deveria considera felicíssima como Imperatriz de Roma. Recusei a proposta sem um momento de hesitação e declarei-lhes que já me havia tornado Esposa de Jesus Cristo, por um voto de castidade, quando eu tinha doze anos. Meu pai, então, por todos os meios diligenciou provar-me que uma criança da minha idade não podia dispor de si própria como lhe aprouvesse; e invocou toda a sua autoridade para me obrigar a obedecer. Mas o meu Divino Esposo deu-me a necessária coragem para permanecer firme na minha resolução.

Quando o Imperador foi informado da minha resposta, considerou-a mero pretexto para lhe sermos desleais. E disse a meu pai:
- Tragam-me aqui a Princesa Filomena, e eu verei se posso convence-la ou não.
Meu pai foi-me buscar, mas vendo que a minha resolução era inabalável, ele e minha mãe, ambos se lançaram aos meus pés suplicando-me que mudasse de propósito.
- Filha! – exclamavam eles – tem dó de teus pais, tem piedade do nosso reino! Eu respondi que os meus pais e o meu reino eram o céu. Deus e a mi nhá Virgindade estavam, para mim, acima de tudo mais.


No entanto, não pudemos deixar de obedecer ao Imperador, apresentando-nos no palácio. Ele, primeiro, usou de toda a espécie de promessas e lisonjas para me induzir a aceitar o casamento; mas tudo foi em vão. Depois, recorreu a ameaças. Mas sem melhor resultado. Por fim, num acesso de desespero, impelido pelo demônio da luxúria, ordenou que eu fosse atirada para um cárcere, nos subterrâneos do palácio imperial. Aí, amarraram-me os pés e as mãos e carregaram-me de cadeias, na esperança de assim me constrangerem a casar com aquele homem em cuja alma só imperava o espírito das trevas.

Todos os dias ele vinha renovar os seus galanteios. Aliviavam-me de ferros, de modo que eu podia tomar um pouco de pão e água; mas o Imperador, ao ver que os seus esforços eram inúteis, mandava que se me repetissem as torturas. Durante todo este tempo o meu Divino Esposo me amparou. Constantemente eu me recomendava a Jesus e a sua Mãe Bendita.

Passavam-se estas cenas havia trinta e sete dias, quando a Rainha do Céu me apareceu, aureolada por uma luz deslumbrante e sustendo nos braços o seu Divino Filho.
–“Minha filha – disse-me Ela – continuarás ainda mais três dias neste cárcere, e depois, ao quadragésimo dia do teu cativeiro, abandonarás este lugar de tormento”.

Mas a Bendita Mãe de Deus continuou:
 - “Quando o abandonares sofrerás ainda cruéis torturas por amor a Meu Filho”.

Esta nova revelação deixou-me apavorada, e cheguei a experimentar a sensação de que já me assaltavam as terríveis agonia da morte.

- “Coragem, querida filha! – acrescentou a Rainha do Céu - querida acima de todas porque tens o meu nome e o nome de Meu Filho. Tu chamas-te Lumena ou Luz. Meu Filho, teu Esposo, chama-se Luz, Estrela, Sol. E eu também, não me chamo igualmente, Aurora, Estrela, Lua, Sol? Eu serei o teu amparo. Agora é o período transitório da fraqueza e da humilhação humana; porém, quando chegar a hora do julgamento, então receberás a graça da divina força. Além do teu Anjo da Guarda, terás a teu lado o Arcanjo Gabriel, cujo nome significa A força do Senhor. Quando eu estava na terra, era ele o meu protetor: eu agora o mandarei aquela que é a minha mais querida filha”.

Estas palavras tranqüilizadoras reanimaram a minha coragem, e a visão desapareceu, deixando na masmorra perfume celeste.

O Imperador, perdendo a esperança de me fazer ceder aos seus desejos, recorreu ás maiores torturas, com o fim de me aterrorizar e assim conseguir que eu quebrasse o meu voto feito a Deus. Ordenou que eu fosse amarrada a uma coluna e cruelmente açoitada, acompanhando-se ainda o bárbaro suplício de horríveis blasfêmias.
Dizia o tirano:
-“Visto que é tão persistente em preferir um malfeitor, condenado à morte pelos seus próprios compatriotas, a um imperador como eu, sofra ela o castigo merecido”

Vendo que, apesar de eu estar toda numa chaga, a minha resolução continuava inalterável, mandou que tornassem a levar-me para a prisão, onde deveria agonizar e morrer.

Estava eu lançando o meu pensamento para além da morte, esperando descansar no seio do meu Esposo, quando me apareceram dois anjos resplandecentes e derramaram um bálsamo celestial sobre as minhas feridas. Estava curada.
Na manhã seguinte, o Imperador ficou assombrado ao saber da notícia. Vendo-me ainda mais forte e mais bela que nunca esforçou-se por me convencer de que eu recebera aquele benefício de Júpiter, que para mim destinava a coroa imperial.

O Espírito Santo inspirou-me e refutei aquele sofisma, ao mesmo tempo em que resisti às blandícias do Imperador.

Louco de raiva deu ordem para que me prendessem ao pescoço uma âncora de ferro e me lançassem ao Tibre. Mas Jesus, para mostrar o seu poder e confundir os falsos deuses, mais uma vez mandou em meu auxílio os seus dois anjos que cortaram a corda; e a ancora caiu no fundo do rio, onde ficou encravada no lodo. Trouxeram-me então para a margem, sem que uma gota de água tivesse tocado nas minhas roupas.

Este milagre converteu um grande número dos que o presenciaram. Diocleciano, mais obstinadamente cego que Faraó, declarou então que eu devia ser feiticeira e ordenou que me trespassassem de setas. Mortalmente ferida, quase morta, uma vez mais fui atirada para a prisão. Em vez da morte, que muito naturalmente devia ter vindo, o Altíssimo fez-me dormir um sono reparador, depois do qual acordei, ainda mais bela do que era.

Ao ter notícia deste novo milagre, o Imperador ficou de tal maneira enfurecido, que ordenou a repetição da tortura até que a morte sobreviesse enfim; mas as setas recusaram-se a partir dos arcos. Diocleciano insistia em que semelhante fato era determinado por um poder mágico e, na esperança de que esse encantamento se aniquilasse diante do fogo, deu ordem para que as setas fossem aquecidas numa fornalha até ficarem rubras. Mas este expediente foi de nulo efeito. O meu Divino Esposo livrou-me desse tormento voltando as setas contra os besteiros, seis dos quais foram mortos.

Este último milagre deu lugar a outras conversões e o povo começou a manifestar grande descontentamento e a mostrar reverência pela nossa bendita fé.

Receando mais sérias conseqüências, o tirano ordenou então que eu fosse decapitada.

A minha alma gloriosa e triunfante, ascendeu ao Céu, onde recebi a coroa da virgindade, que mereci por tão grande número de vitórias. Foi às três horas da tarde, de 10 de agosto numa sexta-feira.
Eis aqui as razões por que Nosso Senhor quis que o meu corpo fosse reconduzido para Mugnano em 10 de agosto e por que Ele operou tantos milagres nessa ocasião.”

(Santa Filomena a Grande Milagrosa - por E.D.M)

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